Sexo, Champanhe e Tchau.

30 de janeiro de 2013

Peça no Rio oferece  texto certeiro e atuações corretas

Por Fernando Andrade

As imperfeições dos encontros entre homens e mulheres; as ambições de cada um com suas decepções alinham a análise para o ponto de vista de uma narradora que entra num apartamento de uma escritora para lhe avaliar a sua vida afetiva. Uma boa sátira por que não de um mundo “pequeno” das emoções que nos toca, porque a peça “Sexo, Champanhe e Tchau” , mais uma boa opção em destaque na Casa da Gávea(www.casadagavea.com.br) , não é destinada a algum gênero, não se trata aqui de confronto de vontades nem de identidades. A dramaturga Mônica Montone, em sua primeira peça para o palco rascunhou com perfeição; uma odisséia pelo qual passam mulheres e homens quando seus sentimentos estão (dês) sintonizados.  Utilizando basicamente poucos objetos de cena com duas cadeiras e papeis espalhados pelo chão, o texto mostra o percurso do encantamento até o cair na real de uma artista por um homem e este homem como bate nela quando se ausenta. Neste aspecto, a peça acerta em pontuar em como os modelos de procura do objeto amado pode ou deve ser entendido pelas diferenças entre gêneros. E que o toque, a fricção, o volição entre corpos são rédeas pro desejo. Mas ai pinta no meio: aquela quietude de ficar junto, de entender os sinais, de pegar o (sub) texto dos códigos a dois. Mônica entra e sai de cena (dês) construindo o discurso da protagonista, uma escritora que poderia usar suas experiências afetivas para seu romance e com isso sair do vermelho. Cecília Mamede é pura faísca numa interpretação modulada pelo questionamento de si como ser afecção. Mônica também como narradora é mais jocosa e lúdica e suas tiradas espirituosas fazem à platéia cair na risada. A direção de Juliana Betti apesar dos poucos recursos cênicos potencializa os objetos de cena e junto com a ótima trilha sonora fazem de Sexo, champanhe e tchau, um perfeito brinde aos próximos e seus encontros.

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Vivo Demais Para Ser Feliz Impunemente

25 de janeiro de 2013

Fernando Andrade e Vitor Diniz foram conferir a peça Vivo Demais Para Ser Feliz Impunemente no Rio de Janeiro e cada um faz o seu ”Raio X ” do espetáculo.

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Linda polaridade entre dramaturgia e poesia

Por Fernando Andrade

 

Num terraço de um prédio abaixo de um céu com a lua alta, o poeta Thales Paradela experimenta as palavras para criar um soneto com frases lema-tema simpático (s), mas não estranho (s) aos anseios de um alfaiate que alinha o tecido da linguagem poética. “Vivo Demais Para Ser Feliz Impunemente”, ( ver programação em www.casadagavea.com.br), texto de Thales Paradela – mas não vamos elucidar o veio dramático nem poético, mas sim a condução de uma montagem lírica que vem da parte dos anjos. Este: Miguel (Gilberto Behar), que chega com algum propósito: preparar o poeta para a posteridade que acontecerá no devido tempo. Nesta linda polaridade entre dramaturgia e poesia, a encenação através do texto preciso do autor Thales nos viabiliza o labor que um poeta precisa para ter sua obra tornada pública. O próprio Anjo lhe avisa que é preciso socar a física do ato criativo, que o ideal só é real quando a escrita poética é canalizada do corpo do seu fabricante ou do seu alfaiate para o mundo.

 

Viva a sociedade dos poetas!

 

As poesias de autores famosos como Augusto dos Anjos, Paulo Leminski, e do próprio Thales são sutilmente inseridas no texto fazendo parte da dramaturgia; mas com um leve declamar que sublinha sua colocação. O poeta proclama o fracasso com opção romântica da lira, mas o anjo diz que o tempo é lugar de realização e que só está esperando o poeta acabar seu livro para levá-lo para a biblioteca celeste. Quando o poeta termina-o é levado para esta biblioteca é lá encontra os autores canonizados. Num lindo jogo de projeções de frases poéticas o poeta parte sendo vestido de fraseados na sua roupa (literal) tanto quanto na parede que simboliza uma passagem da vida à morte e também espaço celeste da literatura. O poeta ganha um salvo conduto de mais um dia para finalizar seu soneto inacabado, voltando à vida. O jogo de cena é muito bem conduzido, com um ótimo trabalho corporal dos dois atores que necessitam da expressão física para passar ao público uma dinâmica que enriquece a montagem, pois o trabalho poético é essencialmente lúdico, e o texto prescinde desta incorporação do corpo. Não poderia deixar de citar a ótima intervenção gravada de Áudio da voz de Eduardo Tornaghi como um bibliotecário que dá diretrizes ao poeta imortalizado para ele usar a tal biblioteca.

 

   

O verdadeiro Lado B

 

Por Vitor Diniz

 

Se você gosta de música pop, o termo underground  não é nem um pouco estranho. E como você sabe, serve para definir  toda a cultura dita alternativa em geral.

O teatro assim como o cinema e a música, também se nutre de seu underground. Quantos grandes atores não foram revelados na Praça Roosevelt  em São Paulo por exemplo? Celeiro de peças  de acento cult. Ali o teatro paulistano sempre se revigorou. No Rio de Janeiro uma atmosfera semelhante pode ser sentida no Baixo Gávea, reduto boêmio da cidade, mas especificamente se você subir as escadas da Casa da Gávea. Se sua intenção for conferir  a peça, ”Vivo Demais Para Ser Feliz Impunemente”, de  Thales Paradela, você terá todo o sabor e urgência do underground.

Como é corriqueiro no primeiro mundo, os atores estão ao seu alcançe, e nada de backstage , se ainda pensar em uma analogia a cena rock. ”Do It Yourself ”, é o lema aqui. A velha máxima punk já começa na barraquinha de livros do autor e de camisas da peça. Tudo cordenado por sua mulher e por sua irmã.

Boas sacadas valem mais do que  uma grande produção. Thales e seu parceiro Gilberto Behar , ambos com uma atuação pra lá de correta no palco não me deixam mentir. Na noite de estreia o charmoso e pequeno teatro estava lotado. Lá pareciam estar pessoas que queriam ver teatro sem nenhum encanamento que faça link com  a grande industria da mídia. Distante da super estrutura e do esquemão, ”ator da novela é igual a peça hypada”, Thales e Gilberto, mostram que como é normal na Europa por exemplo, o Lado B pode ser mais interessante , passando longe do rasteiro e do óbvio. Embora devemos enaltecer, que  muitas vezes é possível unir as duas vertentes e ter um produto Lado A , que trasborde conceito e despretensão.

 

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