Savages total!

10 de maio de 2013

Garotas inglesas lançam disco e viram febre no mundo indie

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Por Vitor Diniz

         Quando os olhares midiáticos do indie britânico estavam voltados, em especial, para o Palma Violets, ainda assim, o Savages começava a ganhar espaço na Inglaterra, em 2012. Embora este ótimo grupo de mulheres de Londres – que faz um som cheio de personalidade e urgência, como ensinou, entre outros, o Gang Of Four – siga uma cartilha bem diferente daquela adotada pelos rapazes do Palma Violets, esses, muito empolgantes também, por sua vez, devem ter o The Jam como maior referência.

Agora que o disco de estreia do Savages, Silence Yourself, chegou ao mercado e está “causando” junto à crítica, é saudavel pensar se a banda não é uma espécie de  ”resposta feminina” ao Palma Violets. Seja lá como for, o fato é que a Inglaterra agora conta com duas grandes bandas nesta nova geração. Cada uma na sua praia, ou melhor no seu pub. Sorte do rock inglês! Os caras do Palma Violets, com sua ótima veia roqueira e básica, e as moças, supostamente letradas e modernosas do Savages, com uma pegada tensa e até soturna.

A curiosidade pelo viés feminino ganhou graça extra no meu imaginário, quando recebi, via Norman Records – uma esperta loja de Leeds – justamente no Dia Internacional da Mulher, o EP,  I Am Here, com o Savages ao vivo. A capa, na minha opinião, ainda mais puxada para um conceito de arte que do disco cheio, traz, em foto impagável, a vocalista Jehnny Beth .

Por outro lado, se pensarmos em uma estética debutante, a capa de Silence Yourself fortalece o poder de banda, claro. Com o barulho deste disco, o Savages vai tocar em Nova Iorque, no Webster Hall, pois estão cotadíssimas também do outro lado do oceano.

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Savages ou o bebê de Kate Middleton ?

O Savages já fez um circuito de luxo no indie, para um grupo novo. Passaram pelo programa de Jools Holland na BBC, tocaram na catalizadora loja da Rough Trade, em Londres, onde os grupos que interessam lançam seus discos com shows quase exclusivos e tudo mais. Agora, a maratona seguirá ainda mais intensa, pois, do jeito que estão as coisas, parece que ”se fala mais nelas” do que no bebê de Kate Middleton, no Reino Unido.

Uma banda nova que lembra Siouxsie and the Banshees? Apesar de todas as resenhas do viciante e recém-lançado álbum cravarem esta associação, vale salientar que o universo do quarteto é bem mais amplo. O pós-punk e o gótico falam alto no trabalho delas, mas é tanta informação bacana e inteligente vindo daquela intrépida guitarra e daquele baixo insinuante, que penso muito mais em termos de rock. Até Swell Maps, acho que esssas meninas andaram escutando. Quando olho para Jehnny Beth, a figura de uma nova diva fashion, meio punk, ganha vida, destas que vão estampar as capa de revistas como Nylon e a Dazed&Confused por muitas vezes. O grupo, inclusive, já é destaque na bíblia de estilo britânico, com uma entrevista nesta edição da D&C. A tal vocalista, uma ”franco-britânica”, que cresce e se transforma no palco, mostra o que uma jaqueta jeans, um cabelo curto e bem cool, e uma voz atormentada são capazes de fazer.

artigo publicado por popmix
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