Sempre relevante, sempre Paul Weller

10 de dezembro de 2018

Com mais um álbum certeiro,  Modfather ratifica a sua importância histórica

 

Paul Weller deixa evidente com seu recém lançado álbum True Meanings, porque é de longe um dos caras mais respeitados de todo o rolê do rock inglês . O genial cantor e compositor de sessenta anos é, inegavelmente um dos músicos mais talentosos de todos os tempos. O novo disco é mais uma demonstração  do quanto ele sabe sempre nos apresentar álbuns relevantes e sempre parecendo ser uma espécie de  máquina de trabalhar! Para comprovar isso, basta dar uma analisada na sensacional discografia do homem que escreveu hinos como ”Town Called Malice”, ”Sunflower” e ”English Rose”. Esta, lançada em 1978 pelo The Jam, fica muito bem ao lado das faixas deste novo trabalho. True Meanings é o décimo terceiro disco solo do Modfather-como ele também é chamado-que em 1977 , já lançava o fundamental In The City com o Jam ao lado do baixista Bruce Foxton e do baterista Rick Buckler. A obra do The Jam é algo tão sério  que em 2015, uma exposição foi montada no famoso Somerset House em Londres, mostrando a grandeza do trio.(Popmix conferiu de perto. Leia matéria sobre o evento e assista ao vídeo com caixa Fire&Skill  nos links abaixo)

True Meanings, é um discaço , lindo, despretensioso  e cheio de faixas calminhas e ótimas para tirar qualquer um da correria dos dias turbulentos .”Gravity” , com arranjos delicados é uma das mais inspiradas músicas lançadas em 2018.  Mas é bom lembrar que Paul Weller, apesar da essência  roqueira e mod, jamais deixou de registrar grandes baladas em todos os seus discos. Estamos falando de um hit-maker nato , que colocou na história pérolas da grandeza de  ”Broken Stones” e ” You Do Something To Me”, apenas para citar duas que transbordam  a sua facilidade para criar melodias perfeitas. Ambas as peças estão no clássico álbum Stanley Road de 1995. Você pode estar também se lembrando da envolvente e açucarada  ”You’re The Best Thing”. Sucesso total com o  incrível The Style Council em 1984, a música  rola até hoje em algumas FMs do Brasil e de todo o planeta. ”You’re The Best Thing” , está no fundamental disco Café Bleu que conta com a divina capa que apresenta Weller e seu parceiro Mick Talbot em grande estilo. E por falar em elegância e capas de discos,  o tempo parece mesmo não passar  para  este dândi inglês e,  nesse novo álbum Paul Weller assim como fez em Café Bleu e em tantos trabalhos nos entrega  na arte de sua capa algo como um manual da moda britânica. Claro que o vinil duplo é a forma mais indicada de se apreciar um disco tão luxuoso e que nos confere um rica experiência tanto sonora quanto do ponto de vista estético.

Arranjos Sofisticados

E como convidado especial para atuar na faixa de abertura de True Meanings, que foi lançado pela Parlophone, temos Rod Argent, referência com seu lendário grupo The Zombies . Com seu órgão mágico Argent acrescenta uma graça extra a maravilhosa ”The Soul Searchers”.
Paul Weller gosta de tocar violão, e em seus shows sempre curtiu  fazer um set acústico com sua bandaça (Leia matéria nos links abaixo sobre os shows de Paul Weller que o Popmix acompanhou) e desta vez nos premiou com um disco que, para muitos é conceitual  e que conta com uma pegada  tipo de um unplugged , meio folk . Em A Kind Revolution de 2017, o músico sempre atual e conectado  ás tendências, havia como em outros projetos, experimentado com sucesso passeios arriscados  por diversas vertentes da música , mas agora nos faz lembrar de seu disco Days  Of  Speed que corresponde ao seu acústico lançado em 2001. Impecável do começo ao fim! Ouça este álbum urgentemente. O mesmo podemos dizer sobre True Meanings , magistral também e cheio de belos momentos como a finíssima  ”What Would He Say”, com seus metais precisos que ajudam a fazer dela uma das grandes faixas já escritas por Weller. A admiração por bandas como o Cow mostra o quanto Paul é apreciador mesmo da arte de se tocar violão . O modfather convidou os músicos do Cow para abrirem seus shows em 2012 no Roundhouse em Londres.  ”Aspects”, ” Books” ( com a cantora Lucy Rose) e é claro ”Bowie”,  são outras lindas músicas que podem tornar o seu dia bem melhor. Escutar Paul Weller é estar de bem com a música é estar de bem com a arte.

 

 

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Morrissey bem perto

1 de dezembro de 2018

Cantor inglês contagia seus fãs no Rio e se apresenta no domingo em São Paulo

 

Por Vitor Diniz

Fotos: Sérgio Sieberer

Vídeos impagáveis rolando no telão aqueciam o clima para o show de Morrissey, na noite dessa sexta-feira (30 de novembro), no Rio de Janeiro. Um dos últimos clipes a pintar foi o de ‘’Rebel Rebel’’, clássico  de David Bowie, que deixou a atmosfera perfeita para a apresentação do ex-vocalista do The Smiths, na Fundição Progresso.

        Pouco tempo depois, sem atraso, surgia em cena o cantor inglês, que é o dono de uma das vozes mais marcantes de toda a cultura pop. O músico de 59 anos começou a noite mandando ‘’William, It Was Really Nothing’’.
        A música abre curiosamente um disco dos Smiths, que pode ter sido a porta de entrada da obra da banda para muitos brasileiros, Hatful Of Hollow, lançado em 1984 pela Rough Trade. O álbum saiu no Brasil e foi o primeiro vinil do lendário grupo de Manchester a pintar em festinhas, vitrines de lojas de discos e nas mãos de toda uma geração de amantes  de rock por aqui.
       Claro, o primeiro disco deles auto-intitulado também acabou, saiu no mercado brasileiro, assim como seus  demais trabalhos, mas o famoso disco de capa azul, que trazia uma compilação de performances  dos Smiths, era inicialmente mais comum no Brasil. O disco tinha singles e  até faixas gravadas no programa do mestre John Peel, na BBC.
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      Morrissey esticava os braços
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Mas, voltando ao Rio de 2018, Morrissey que se apresentou na cidade  pela quarta vez,  nos ofereceu na Lapa uma atuação grandiosa, passeando atentamente por toda a sua discografia. De seu último álbum, Low In The High School, Morrissey mandou algumas faixas com destaque  total para ‘’I Wish You Lonely’’, e, principamente ‘’Spent The Day In Bed’’. Essa então, com  uma interpretação ainda mais inspirada do ex-parceiro de Johnn Marr.  Morrissey  fez questão de estar também nos cantos do palco para ficar bem perto de todos. Esticava os braços para cumprimentar a galera. E, no melhor estilo crooner de luxo, demonstrou toda a grandeza e noção de palco de um ícone pop. Seus fãs no Rio também esticavam, nas primeiras filas, empolgadamente, seus braços para ter contato com o ídolo. Teve até  um fã que deu a sorte de ter no meio do show seu LP autografado por Morrissey . Era uma cópia de Viva Hate, primeiro registro solo dele e que data de 1988. Neste disco, você encontra hits como ‘’Suedehead’’,  que ele não cantou aqui e também “Everyday Is Like Sunday’’. Essa sim, foi acionada, e causou reações lindas na Fundição Progresso. Depois dela, Moz fechou a noite com ‘’First Of The Gang To Die’’.
          Antes de deixar o palco e voltar para estas duas músicas finais, Morrissey, que esbanjou senso fashion ao longo da noite,  rasgou sua camisa e jogou a  mesma para seus fãs .
          Por falar em camisas, a lojinha com itens do artista
, que já estava com uma boa fila antes do concerto, com a festejada atuação do britânico acabou lotando de vez no final do espetáculo..
Dizer qual foi o melhor momento de Morrissey no Rio não é uma tarefa fácil, já que ele entregou ao público carioca um ótimo show com sua azeitada banda, mas além da já citada ‘’Spent The Day Bed’’, dois clássicos da década de oitenta tiveram um sabor especial: ‘’How Soon Is Now’’, que conhecemos no importantíssimo vinil de capa azul mencionado acima e ‘’Back On The Chain Gang’’. Essa, por sua vez, um mega hit dos Pretenders, que Morrissey regravou agora em um single. O vinil transparente de 7 polegadas se tornou uma  peça do tipo “tem que ter’’ do momento, no universo indie inglês especialmente.
          E neste domingo, em São Paulo, a festa com Morrissey no Brasil será no Espaço das Américas.
 
 
 
 
 

The Queen Is Dead-Disco fundamental dos Smiths completa trinta anos

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