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Um beatle bem perto!

13 de novembro de 2014

       Paul McCartney emociona fãs e entrega todo seu carisma ao Rio. 
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Texo e foto – Vitor Diniz
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           Ver  Paul McCartney de perto é sempre impagável, por tudo que o ex-parceiro de John, George e Ringo representa. Estar em um show do ”Macca”, sempre é diversão garantida. Mas nesta quarta-feira (12 de novembro), o sabor foi ainda mais especial no Rio de Janeiro, pelo fato dele estar bem perto no sentido físico propriamente dito, já que na Arena HSBC, vimos o primeiro palco de Paul no Brasil que estava montado em um lugar fechado, o que conferiu à apresentação, que faz parte da Out There Tour, contornos, digamos, ”particulares”. O músico de setenta e dois anos  se apresentou antes em Cariacica, na região metropolitana de Vitória, no dia 10,  e ainda segue para Brasília e São Paulo.
Com meia hora de atraso, o que ”ajudou” parte do público que ficou às voltas com o trânsito na zona oeste da cidade. A mitológica figura de Sir Paul McCartney surgiu com sua banda (fantástica, como ele mesmo definiu), tocando a clássica ”Eight Days A Week”, que está registrada no disco Beatles For Sale. Logo depois, a vigorosa ” Save Us” já sinalizava o quanto ” New”, seu mais recente trabalho, é coeso e desce bem ao vivo.Ao longo da noite, o inglês, sempre carismático, ainda lançou mão de outras faixas deste álbum. ”New”, que dá nome ao disco, ratificou a condição de McCartney como magistral melodista. ”Queenie Eye” foi uma das melhores da noite, com Paul ao piano e ”Everybody Out There” teve uma participação maciça  da plateia.
Entre os tantos clássicos dos Beatles e do Wings, destaques ainda para  ”Lady Madonna”, ”Something” (com a Arena cantando em peso com o genial músico, para lembrar do amigo George Harrison) e ”Live and Let Die”. Com seu violão, Paul embalou os corações beatlemaníacos com hinos como ”Yesterday” e ” Blackbird”. John Lennon também foi homenageado na linda ” Here Today”. Assim como das outras vezes no Brasil, Paul mandou muito bem com seu simpático português em uma apresentação em que nos ofereceu  uma performance brilhante .  Depois de uma longa, porém deliciosa noite, os fãs voltaram para casa de  alma lavada e duas jovens em especial,  foram convidadas ao palco e ganharam abraços e preciosos autógrafos do homem que carrega consigo uma das mais bem sucedidas trajetórias da música pop.
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O Arcade Fire é nosso!

5 de abril de 2014

Grupo faz show contagiante no Rio e segue para o Lollapalooza
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Por Vitor Diniz
Foto:José Cláudio Barbosa Jr
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“Quem manda na casa é a mulher e na banda também”, disse uma voz feminina na plateia se referindo à performance inesquecível de Régine Chassagne na música “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”, no ótimo show que o  Arcade Fire fez nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro. Sobre o grupo canadense, que será uma das atrações principais de domingo no Festival Lollapalooza, em São Paulo, o comentário em tom de brincadeira da fã, se referia ao fato de Win Butler, seu marido e mentor intelectual do Arcade Fire ditar o ritmo do  combo ao longo de toda a apresentação no Citibank Hall, mas na última música do show, Régine, que parecia uma coadjuvante de luxo, mostrou que o protagonismo do marido não era tão grande assim. A moça provou ser partícipe total e sublime nas ações principais de seu parceiro no ballet-pop que o Arcade Fire promove no palco. Em “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”, cantou com alma doce, mas também foi contundente e segura e parecia hipnotizar a plateia carioca. De quebra, dançou como uma colegial e deixou o clima perfeito para o bis que viria após a tal brincadeira com os bonecos e as máscaras gigantes que tanto conceituam este espetáculo. Tudo na frente conta com a assinatura soberba de Butler, mas Régine circula por toda a casa, quer dizer, por todo o palco, tocando muitos instrumentos como se checasse cada detalhe para o maridão brilhar com ela.
Apesar da faixa cantada por ela ser do disco The Suburbs, de 2010, foi mesmo Reflektor, de 2013, que pautou  o show. Aliás, deve ser sempre assim, quando uma banda está lançando um disco. Win se mostrou um grande comandante no palco, e, brincadeiras à parte, ele e sua esposa parecem ter nascido para conduzir seu surpreendente grupo. Com cerca de uma hora e meia de duração, o show  provou que o Arcade Fire é uma banda baseada na cultura anglo-saxônica, mas que sabe bem olhar para outras nuances deste planeta cada vez mais diversificado. Haiti? Brasil?
                                                   Chuva de papel picado
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 E em uma semana em que Kate Moss foi à Toca do Vinicius, um dos redutos da Bossa-Nova, em Ipanema, conferir discos e afins, a música brasileira parecia ser especial também para os caras do Arcade Fire, que deram as suas entregadas em relação a isso. Sem falar na camisa do Neymar, exibida com orgulho no final e tudo mais. Surpresas? Aquarela do Brasil? Caetano? Essas podem pintar ainda mais, quem sabe, no show de São Paulo. Melhor esperar.
Com alguns fãs fantasiados, os canadenses e seus adereços deram um clima de festa ao concerto. O disco da vez , Reflektor, foi bem quando acionado dando tom ao show e “Joan of Arc”, com sua introdução bacana, foi uma das mais impactantes.
Para quem viu a banda canadense em ação no Brasil em 2005, este show deixou claro que hoje o grupo conseguiu escapar no bom sentido do chamado eixo underground. Sem perder sua identidade indie, saudavelmente “se dando bem” com o mainstream, a banda não perdeu a sua vocação pelo belo. O telão ao fundo do palco exibia imagens lindas, em geral em preto e branco, algo que esteticamente funcionou bem no Rio, junto a postura de big band pop. O clima de carnaval indie chegou ao seu auge em “Normal Person”, e, em show que teve chuva de papel picado e um “homem de metal” zanzando pelo palco fazendo um personagem Reflektor, já as pessoas normais (que não lotaram nem de longe o local!), se esbaldaram na plateia. Imagina no Lolla!
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Brasil é ”tri” no Britpop

29 de novembro de 2012

.Texto e fotos – Vitor Diniz

Deu a lógica e o Pulp fez um vibrante e delicioso show na noite desta quarta-feira, 28 de novembro, na Via Funchal, em São Paulo. Assim, o Brasil completa a tríplice sagrada do chamado Britpop, já que Blur e Oasis tocaram por aqui no passado.( Na verdade somos Tetra, se pensarmos no Suede). Em vários números, o grupo de Sheffield, que ficou dez anos na geladeira, causou emoção como na clássica ”Disco 2000”, primeiro momento de arrepiar de verdade, embora a abertura, com ”Do You Remember The First Time”, já tenha promovido um belo frisson nos presentes, que, se não lotaram, deixaram o local com um aspecto do tipo ”casa cheia”.

Letreiro do palco do show do PulpA troca de energia entre o cantor Jarvis Cocker e seus fãs era marcante. O inglês, que se deslocava pelo palco inteiro, foi performático e justificou a fama de porta-voz da geração dos anos 1990, no Reino Unido. Em ”This Is  Hardcore”, atuou com dramaticidade e foi perfeito!

De volta aos anos 1990

”Common People”, o grande hino do Pulp, provocou tal reação, que,  os indies já imaginavam, e com a logo gigante e colorida da banda piscando ao fundo do palco, era possivel se sentir na Inglaterra de Tony Blair, de Kate Moss e das Spice Girls, de tão pulsante que foram aqueles minutos em especial.

 

Jarvis, que interagiu muito com a plateia, por vezes em português, com um papel como apoio, perguntou se a moçada não iria trabalhar de manhã, em tom de pilha (seriam as pessoas comuns?), porque ninguém queria deixar a banda ir embora. Jarvis ouviu um sonoro “nnnãããooo”. Generosos e agradecidos sempre, os britânicos tocaram por cerca de duas horas.

Belo show, com o som da Via Funchal redondo, e com um público interessado e participativo. Nota dez!

O dia em que encontrei Jarvis Cocker

Madrid x Goiânia

11 de novembro de 2012

Texto e fotos – Vitor Diniz

A dupla Madrid, formada por Adriano Cintra e Marina Vello, traz em sua alcunha um mix dos nomes de seus componentes. Ele, ex-mentor do Cansei de Ser Sexy, banda brasileira que consegiu bem mais do que um brilhareco na Inglaterra. Ela se tornou famosa com o Bonde do Rolê, projeto curitibano, divertido, que também agradou aos europeus.

Os dois tocaram neste final de semana no Festival Goiânia Noise, e fizeram um show que foi, no mínimo, correto. Deixando uma expressão de ”quero mais” no rosto dos curiosos de plantão, o rápido (com cerca de quarenta minutos), show da dupla, que parecia deslocada em meio às atrações mais ”agressivas” do evento acabou agradando à pequena plateia. Lembremos que, na sexta-feira (9 de novembro), Goiânia teve uma noite chuvosa, talvez um dos motivos para que o ótimo Centro Cultural Oscar Niemeyer não estivesse repleto.

O Madrid, que foi destaque na revista americana NYLON, uma das “bíblias” de estilo atualmente, fez a sua parte, de forma discreta, lírica e mágica. Adriano, em seu teclado, revelou ser um pianista de fato. A canhota Marina, com seu visual bacanérrimo, usou uma guitarra em alguns números. Já em outros, apenas usou sua voz e convenceu. Quando os dois cantam simultaneamente, o Madrid então se torna sublime.

No fundo do palco, uma projeção com um suposto baterista, justifica de forma inteligente o uso das levadas eletrônicas. Genial ideia!

Para lembrar os grandes do indie

A discrição parece ser uma marca da dupla, que não interagiu com os goianos, não que tenham tido um ar blazé, mas apenas se disseram felizes no final por estarem ali . Seu lindo vinil colorido de estréia não era sequer vendido nas lojinhas que faziam parte da estrutura do festival. E a data não constava na lista de shows, no site deles, que diga-se de passagem é britânico. www.wearemadrid.co.uk

”Sad Song” simbolizou bem o quanto esse duo é talentoso e seu som pode até parecer tristonho, mas na verdade nos remete a grandes nomes do indie dos anos 1990. O Madrid e suas lindas melodias é uma das grandes pedidas da atual cena alternativa. Tomara que eles toquem mais pelo Brasil, e seu disco (Madrid) apareça em nossas prateleiras. A banda, vale lembrar, não vai lançar em cd seu álbum, mas a versão digital e a já citada vinílica merecem o investimento!

Assista entrevista com o Cansei de Ser Sexy em 2005 no Popmix:

artigo publicado por Redação
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Dívida muito bem paga

22 de outubro de 2012

 Texto e fotos: Vitor Diniz

A cantora americana Beth Ditto e sua banda The Gossip brindaram na noite deste domingo os empolgados cariocas que foram ao Circo Voador, no Rio de Janeiro, após a cidade ser castigada com forte chuva.

A banda, que nos últimos anos foi das mais incensadas pela mídia musical, recompensou quem esperou até às 22h30 da noite dominical, na alagada região da Lapa. Beth, também destaque sempre em editorias de moda e referência cool, com sua postura e discurso ”nem aí para a boa forma”, foi a estrela da noite, é claro.

        

A voz de diva soul da americana e a levada disco de sua banda, que havia tocado na véspera no festival Planeta Terra, em São Paulo, condensa tudo com maestria. Com bom tempero punk, deram graça ao show, que contagiou o público, em ótimo número na casa.

Beth Ditto fez de tudo um pouco: cantarolou a música da novela que virou febre no Brasil, brincou com um ventilador, que supostamente amenizava o imenso calor que ela sentia, colocou um fã no palco e cantou com ele. Uma artista completa, cantora de vozeirão apurado que não perdeu em nenhum segundo o comando das ações e das atenções.

Com cerca de uma hora e meia de apresentação, ela esbanjou carisma e simpatia e se redimiu, ao lado de seu Gossip, pelos dois “canos” que deu nos brasileiros, quando cancelou compromissos por aqui. ”Standing in the way of control”, grande hit da banda, fez, no final, com que a galera se esbaldasse como se não houvesse segunda-feira.