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    + Banda portuguesa Clã recebe Pato Fu no Rock In Rio Lisboa. Vocalista lusitana falou ao Pop Mix

    Por: Vitor Diniz 

    Os portugueses do Clã são uma das grandes atrações do Rock in Rio Lisboa. O tradicional grupo do Porto se apresenta nesta quinta no festival e ainda contará em seu show com a participação da banda mineira “Pato Fu”. Em entrevista realizada por e-mail, a vocalista do Clã, Manuela Azevedo, fala sobre a dobradinha com Fernanda Takai e conta como foi trabalhar com Arnaldo Antunes e o que acha da MPB, CSS e outros.

     

    Foto: Divulgação

     

    POP MIX - Como está a sua expectativa para o show do Rock in Rio, com a participação do Pato Fu?

    MANUELA – Estamos todos muito animados! Já temos trocado ideias sobre o que vamos fazer no show e é grande o entusiasmo. Desde que nos conhecemos que percebemos logo esse gosto em partilharmos a música (e também os palcos) e esta vai ser uma ocasião excelente para essa partilha.

    POP MIX - Fale um pouco sobre as outras ligações profissionais com John e Fernanda.

    MANUELA – O primeiro trabalho feito em conjunto foi um parceria para o álbum Rosa Carne, dos Clã – uma canção chamada “Carrossel dos Esquisitos”, com letra do John e música do Hélder Gonçalves, compositor e guitarrista dos Clã. Depois, seguiu-se um convite dos Pato Fu para que eu gravasse “Boa noite Brasil”, com a Fernanda, para o álbum “Toda a Cura para todo o mal”. Por coincidência (são muitas as coincidências entre Pato Fu e Clã…), estavamos passando férias em S. Paulo numa altura em que os Pato Fu se apresentaram lá. E aí, convidaram-me para cantar “Boa noite Brasil” com eles, tendo brindado a minha entrada em palco com uma bela versão de “Problema de Expressão” – primeira canção dos Clã que a Fernanda ouviu. Entretanto, os Pato Fu vieram a Portugal fazer uma série de concertos, tendo-me convidado para participar nos shows – além de “Boa noite Brasil”, cantamos juntos também o “Carrossel dos esquisitos”. O último encontro “profissional” foi a participação da Fernanda no nosso mais recente álbum Cintura, na canção “AMUO”.

    POP MIX  – Como foi trabalhar com Arnaldo Antunes?

    MANUELA – Foi e é muito bom! Eramos grandes admiradores do Arnaldo e, na altura em que estavamos a compor o nosso terceiros álbum “Lustro”, mandamos-lhe os dois primeiros discos, apresentamo-nos e perguntamos-lhe se gostaria de escrever qualquer coisa para nós. A resposta não tardou – um fax do Arnaldo chegou à nossa editora, dizendo que tinha gostado muito do nosso trabalho e da ideia de sermos parceiros. Logo aí nos mandou três magníficos poemas tendo daí nascido “H2Omem”, nossa primeira parceria incluída no “Lustro” (2000). E, desde aí, a escrita conjunta de canções não parou (Arnaldo tem escrito canções para todos os álbuns dos Clã que se seguiram), tendo-se seguido os encontros no palco, sendo o mais importante de todos até agora, a sua participação num concerto especial do Rosa Carne, em que o Arnaldo foi o convidado especial, e que resultou no DVD “Gordo Segredo” dos Clã.O trabalho com o Arnaldo tem sido feito de modo muito variado – às vezes as canções surgem a partir de uma letra do Arnaldo para a qual o Hélder compõe a música, outras vezes enviamos a música e melodia para o Arnaldo e ele escreve então a letra. Em palco, entendemo-nos também muito bem. O Arnaldo partilha connosco o prazer enorme de tocar ao vivo, de pisar um palco e de tocar junto com outros músicos. Por isso, é muito fácil o trabalho e, além disso, um grande privilégio para nós. 

    POP MIX  – O grupo brasileiro mais querido no exterior atualmente é o CSS, que canta em inglês. Você acha que o português pode ser uma “barreira” para o sucesso, no mercado britânico por exemplo?

    MANUELA – Não acredito. Aliás, se CSS são neste momento uma banda brasileira reconhecida no exterior, continua a ser a vossa música cantada em português a mais reconhecida e amada mundialmente – Caetano Veloso, Marisa Monte, Chico Buarque… – já para não falar do vosso cancioneiro mais clássico, que é apreciado em todo o lado. Parece-me que, mais importante que o detalhe da lingua, são outros as qualidades que fazem com que certo artista ou certa música encontre eco em diferentes pontos do planeta.

    POP MIX - Existe algum artista brasileiro com que você ainda gostaria de trabalhar?

    MANUELA – Claro! Nós somos profundos admiradores da música e cultura brasileiras, por isso há muitos artistas (e tantas canções!…) com quem gostaríamos de trabalhar. Somos fãs de Marisa Monte, Caetano, Chico Buarque, ficamos tristíssimos quando soubemos que Los Hermanos tinham acabado, adoramos Tom Zé, enfim, a lista ainda é extensa. No entanto, para nós, mais do que a admiração que sentimos por esses artistas, é fundamental que haja uma afinidade e uma necessidade artística forte de ambos os lados para que esses encontros se façam e o trabalho aconteça. Logo se vê o que o tempo traz.

    POP MIX  – Qual a mudança básica entre os Clã da estréia em 1996, com “Luso Qualquer Coisa “, e o recente “Cintura” de 2007?

    MANUELA – Muita coisa mudou! São quinze anos já a fazer música juntos, muitos concertos, muitos artistas e colaboradores descobertos no caminho, filhos a nascer… tudo isso nos muda como músicos e como pessoas. É difícil assinalar uma mudança básica, ainda por cima porque nós fomos, desde o primeiro álbum, muito heterogéneos no que fazíamos, difíceis de catalogar. Há, no entanto, uma descoberta que fizemos do primeiro álbum para o seguinte, “Kazoo”, que me parece importante – foi termos percebido que o grande e essencial desafio que nos interessava abraçar era o de explorar o formato “canção”, tendo sempre como matéria prima para as palavras a língua portuguesa.

    POP MIX  – Como surgiu a idéia de fazer o vídeo de “Sexto Andar” daquela forma tão peculiar e bela?

    MANUELA – Foi um feliz encontro com a pessoa certa na altura certa. Andavamos à procura de alguém para realizar o video para esta canção quando um amigo nosso, Dario Oliveira (organizador do Festival Internacional de Curtas Metragens de Vila do Conde) nos falou numa produtora francesa “Autour de minuit” que poderia ser um parceiro interessante para este projecto. A produtora indicou-nos o nome de uma jovem realizadora de animação, Laurie Thinot, que nos enviou uma sinopse muito interessante, quer estética quer simbolicamente. O trabalho foi feito em tempo record (cerca de duas semanas!) e resultou daí um magnífico filme de animação, como tu dizes, peculiar e belo. Gostámos muito de trabalhar com a Laurie e esperamos ter mais ocasiões de a encontrar de novo.   

    POP MIX  – O Clã mistura bem várias vertentes da música pop em seus discos. Como você classificaria então o estilo da banda?

    MANUELA – É bem verdade que nós recorremos a muitos e variados recursos estilísticos e sonoros para arranjar as nossas canções. Mas parece-me também que esse espírito eclético por parte da produção artística é cada vez mais comum e quase inevitável até. É impossivel não te deixares contaminar pela quantidade inacreditável de estímulos estéticos (ou outros) que te rodeiam. Assim, à falta de uma categoria mais específica onde possa caber a nossa música, “arrumamo-nos” na grande gaveta das canções Pop-Rock (sempre em português). 

    POP MIX  – A Rita Redshoes vêm sendo muito aclamada pela mídia portuguesa. Você concorda que se trata do novo grande nome da música lusitana?

    MANUELA – A Rita é uma talentosa compositora e intérprete, com personalidade e energia para continuar o bom trabalho que começa com esta estreia promissora. No entanto, acho que colocar-lhe sobre os ombros a carga de se vir a tornar o novo grande nome da música lusitana é responsabilidade excessiva, que nem ela aceitaria, me parece. Importante é que ela faça o seu trabalho, como quer e quando quiser, sempre livre. Desejo-lhe todo a a sorte do mundo!…

    POP MIX  – Existe alguma chance do Clã tocar no Brasil em breve?

    MANUELA – Estamos a trabalhar nisso. Há uma forte probabilidade de termos música nossa editada no Brasil nos próximos meses e, se isso acontecer, queremos estar lá para mostrar a nossa música ao vivo!…  

    Um abraço do Clã
    Manuela Azevedo

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