Dívida muito bem paga

22 de outubro de 2012

 Texto e fotos: Vitor Diniz

A cantora americana Beth Ditto e sua banda The Gossip brindaram na noite deste domingo os empolgados cariocas que foram ao Circo Voador, no Rio de Janeiro, após a cidade ser castigada com forte chuva.

A banda, que nos últimos anos foi das mais incensadas pela mídia musical, recompensou quem esperou até às 22h30 da noite dominical, na alagada região da Lapa. Beth, também destaque sempre em editorias de moda e referência cool, com sua postura e discurso ”nem aí para a boa forma”, foi a estrela da noite, é claro.

        

A voz de diva soul da americana e a levada disco de sua banda, que havia tocado na véspera no festival Planeta Terra, em São Paulo, condensa tudo com maestria. Com bom tempero punk, deram graça ao show, que contagiou o público, em ótimo número na casa.

Beth Ditto fez de tudo um pouco: cantarolou a música da novela que virou febre no Brasil, brincou com um ventilador, que supostamente amenizava o imenso calor que ela sentia, colocou um fã no palco e cantou com ele. Uma artista completa, cantora de vozeirão apurado que não perdeu em nenhum segundo o comando das ações e das atenções.

Com cerca de uma hora e meia de apresentação, ela esbanjou carisma e simpatia e se redimiu, ao lado de seu Gossip, pelos dois “canos” que deu nos brasileiros, quando cancelou compromissos por aqui. ”Standing in the way of control”, grande hit da banda, fez, no final, com que a galera se esbaldasse como se não houvesse segunda-feira.

The Horrors e a chuva

1 de junho de 2012

Por Vitor Diniz

”A minha mãe deve ter comprado todas as cópias do NME quando saímos na capa”, disse o vocalista do The Horrors, Faris Badwan, em entrevista à revista portuguesa Blitz.

Como The Horrors nunca estampou a capa de nenhuma publicação brasileira e, por aqui, o New Musical Express (NME-semanário inglês) é vendido em poucas bancas, Faris e seus companheiros mostraram para pouca gente seu pós-punk naquela que acabou sendo uma soturna noite de quinta-feira no Circo Voador.

O The Horrors, que não é uma banda propriamente dark, apesar de ter muito de Siouxsie & The Banshees, Sisters of Mercy e The Cure em seu trabalho, acabou tocando com muito pouca luz no palco, o que conferiu um clima ainda mais gótico ao show. E, como poucos cariocas enfrentaram a chuva para vê-los tocar tarde da noite durante a semana, o concerto só não se tornou burocrático porque a banda é realmente boa. Mesmo assim, teve quem não se ligasse muito nela.

Depois de começar com o som superestourado, exatamente à meia-noite, o grupo de Southend acertou a mão em termos técnicos, lá pela quarta música e mostrou que, em seu retrovisor, estão de fato muitos nomes da cena dark do passado, mas que, com seu toque indie e um tanto punk, conseguem ter cara própria, olhando também para outras cenas

Cantando na chuva

No palco, Faris e seus amigos têm carinhas que nos fazem pensar em Joey Ramone ou nos irmãos Reid, do Jesus & Mary Chain. Com três discos nas lojas e uma capa do NME para se orgulhar, os Horrors fizeram um show correto, mas sem segurar totalmente a atenção dos presentes. Era possível ver alguém sempre checando algo em seu smartphone ou conversando com amigos.

Que o The Horrors é uma boa banda ao vivo, não resta dúvidas. Sua esforçadíssima performance mostrou isso, mas talvez tenham sido prejudicados pela chuva, que deixou a casa bem meia-boca. Além disso, o vibrante show de abertura, dos também britânicos We Are Band, tornou a  tarefa ainda mais difícil. No final, foram aplaudidos com méritos, mas depois de uma hora no palco, o que eles conseguiram mesmo foi nos deixar com uma vontade imensa de ouvir Siouxsie e afins ao chegar em casa.

artigo publicado por popmix
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