The Horrors e a chuva

1 de junho de 2012

Por Vitor Diniz

”A minha mãe deve ter comprado todas as cópias do NME quando saímos na capa”, disse o vocalista do The Horrors, Faris Badwan, em entrevista à revista portuguesa Blitz.

Como The Horrors nunca estampou a capa de nenhuma publicação brasileira e, por aqui, o New Musical Express (NME-semanário inglês) é vendido em poucas bancas, Faris e seus companheiros mostraram para pouca gente seu pós-punk naquela que acabou sendo uma soturna noite de quinta-feira no Circo Voador.

O The Horrors, que não é uma banda propriamente dark, apesar de ter muito de Siouxsie & The Banshees, Sisters of Mercy e The Cure em seu trabalho, acabou tocando com muito pouca luz no palco, o que conferiu um clima ainda mais gótico ao show. E, como poucos cariocas enfrentaram a chuva para vê-los tocar tarde da noite durante a semana, o concerto só não se tornou burocrático porque a banda é realmente boa. Mesmo assim, teve quem não se ligasse muito nela.

Depois de começar com o som superestourado, exatamente à meia-noite, o grupo de Southend acertou a mão em termos técnicos, lá pela quarta música e mostrou que, em seu retrovisor, estão de fato muitos nomes da cena dark do passado, mas que, com seu toque indie e um tanto punk, conseguem ter cara própria, olhando também para outras cenas

Cantando na chuva

No palco, Faris e seus amigos têm carinhas que nos fazem pensar em Joey Ramone ou nos irmãos Reid, do Jesus & Mary Chain. Com três discos nas lojas e uma capa do NME para se orgulhar, os Horrors fizeram um show correto, mas sem segurar totalmente a atenção dos presentes. Era possível ver alguém sempre checando algo em seu smartphone ou conversando com amigos.

Que o The Horrors é uma boa banda ao vivo, não resta dúvidas. Sua esforçadíssima performance mostrou isso, mas talvez tenham sido prejudicados pela chuva, que deixou a casa bem meia-boca. Além disso, o vibrante show de abertura, dos também britânicos We Are Band, tornou a  tarefa ainda mais difícil. No final, foram aplaudidos com méritos, mas depois de uma hora no palco, o que eles conseguiram mesmo foi nos deixar com uma vontade imensa de ouvir Siouxsie e afins ao chegar em casa.

artigo publicado por popmix
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