Dívida muito bem paga

22 de outubro de 2012

 Texto e fotos: Vitor Diniz

A cantora americana Beth Ditto e sua banda The Gossip brindaram na noite deste domingo os empolgados cariocas que foram ao Circo Voador, no Rio de Janeiro, após a cidade ser castigada com forte chuva.

A banda, que nos últimos anos foi das mais incensadas pela mídia musical, recompensou quem esperou até às 22h30 da noite dominical, na alagada região da Lapa. Beth, também destaque sempre em editorias de moda e referência cool, com sua postura e discurso ”nem aí para a boa forma”, foi a estrela da noite, é claro.

        

A voz de diva soul da americana e a levada disco de sua banda, que havia tocado na véspera no festival Planeta Terra, em São Paulo, condensa tudo com maestria. Com bom tempero punk, deram graça ao show, que contagiou o público, em ótimo número na casa.

Beth Ditto fez de tudo um pouco: cantarolou a música da novela que virou febre no Brasil, brincou com um ventilador, que supostamente amenizava o imenso calor que ela sentia, colocou um fã no palco e cantou com ele. Uma artista completa, cantora de vozeirão apurado que não perdeu em nenhum segundo o comando das ações e das atenções.

Com cerca de uma hora e meia de apresentação, ela esbanjou carisma e simpatia e se redimiu, ao lado de seu Gossip, pelos dois “canos” que deu nos brasileiros, quando cancelou compromissos por aqui. ”Standing in the way of control”, grande hit da banda, fez, no final, com que a galera se esbaldasse como se não houvesse segunda-feira.

Ela ouviu os discos certos

30 de agosto de 2012

.Texto e fotos Vitor Diniz

Ao som de ”Lust For Life”, clássico de Iggy Pop , Mayana Moura subiu na noite desta quarta-feira (29 de agosto), ao palco do Studio RJ.

A cantora e atriz lançou, em parceria com a Ellus, um E.P, auto-intitulado, com seis faixas, e esse show serviu para mostrar que ela pode ir muito além disso e colocar vários discos no mercado ao longo dos anos, se seguir com essa vibe. Mas, em qual prateleira? Depois da performance no Rio, Mayana só pode mesmo ficar confortável na seção rock&roll de qualquer loja. Afinal, o público que compareceu em bom número ao Studio RJ, presenciou um autêntico show de rock!

Como Liela Moss e Alison Mosshart

Com dress-code perfeito para a noite, e tendo como suporte a fina guitarra de Marcelo Ozorio (ex-Jumbo Elektro), e uma banda magistral, Mayana desfilou rocks grudentos como ”Magnetic”. A cantora nos fez concluir que escutou os discos certos em sua vida, e abusou bonito de grandes referências da cultura pop. A atmosfera oferecida por ela é semelhante às de artistas da Third Man Records, gravadora de Jack White!

Empolgando a atenta platéia, Mayana foi aclamada em um final de show, que contou com parabéns cantado em coro, para comemorar seus trinta anos.

Já em ”Negative 3”, de Marilyn Manson, ela parecia enlouquecida no palco, na mesma estirpe de vocalistas como Liela Moss, do The Duke Spirit, ou Alison Mosshart, do The Kills.

A conexão com grandes músicos da cena paulistana em especial permeia o trabalho de Mayana, que disse ser muita responsabildade cantar ”BED”, versão em inglês para ”Cama”, de seu amigo Tatá Aeroplano e que está no segundo cd do Cérebro Eletrônico. Ela, com certeza, não decepcionou. Agora, Mayana dividirá seu tempo entre a banda e a nova novela das sete da Rede Globo.

“Eu volto”

4 de maio de 2012

Texto e fotos -Vitor Diniz

 Assim como fez em São Paulo na véspera, Noel Gallagher tocou no Rio de Janeiro números do Oasis, e quase todas as músicas de seu High Flying Birds, na noite de ontem, 3 de maio.

Com cerca de 3.800 pessoas no Vivo Rio, fazendo bonito no que diz respeito à idolatria pop, o ex-mentor do Oasis contou com fãs sedentos por suas grudentas canções.

Aparentemente um tanto mais descontraído que em São Paulo, Noel desfilou seu cancioneiro pop pelo Vivo Rio com maestria. ”Half The World Away” foi mais densa que no show anterior, mas ”Freaky Teeth” já não foi tão marcante quanto em solo paulistano e passou meio batida, o que não aconteceu com ”Aka… What a Life”, tão expressiva, que deixou claro nesta noite que seria ideal para abrir os shows desta turnê.

 Não é tão coerente pensar que lançando um álbum, um artista comece um show com músicas de sua ex-banda. Ele está lançando disco, e só o aciona na terceira música em diante?

Cariocas queriam ”Rockin’ Chair”

Antes de voltar para a parte final do show, o músico inglês de quarenta e quatro anos ouviu a pista vip inteira cantar ”” Rockin’ Chair”, do Oasis. Era uma espécie de pedido coletivo, que foi prontamente ignorado pelo ídolo em questão.

Sem mudar uma música em relação ao show de São Paulo, talvez o grande diferencial a favor do show carioca tenha sido o Vivo Rio ser menor que o espaço das Américas, local aonde Noel tocou na capital paulista. Desta forma, tudo parecia um pouco mais azeitado no palco e o som de ”Talk Tonight” desceu lindamente com a plateia indo no embalo de sua melodia.

Provando estar no mesmo time dos grandes compositores do rock inglês, como Ray Davies e Ian McCulloch, por exemplo, Noel Gallagher disse, ao final da noite, que tinha sido incrivel estar no Brasil e prometeu voltar. Depois, feliz da vida, viu o Rio de Janeiro cantar “Don’t Look Back In Anger” em alto e bom som. Noel parecia apenas um maestro.

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