Stones e as décadas

9 de julho de 2012

Por Vitor Diniz

         Os Rolling Stones tocaram para mais de duzentas mil pessoas no Hyde Park, em Londres, no dia 5 de julho de 1969. Este show simboliza, em parte, a importância da banda, uma das mais adoradas da cultura rock. Com sua trajetória marcada por escândalos, polêmicas e pela morte do guitarrista Brian Jones, homenageado na histórica tarde no parque londrino, o grupo virou uma grife da indústria do entretenimento. Brian havia falecido aos 27 anos, dois dias antes deste concerto, que foi uma espécie de tributo a ele, além de marcar a estreia de Mick Taylor em seu lugar. Sobre o ex-guitarrista, Mick Jagger, trajado de branco, disse: ” Ele não morreu, ele não dormiu, ele apenas acordou do sonho da vida”.

Além do público gigantesco, que ratificava o culto em torno dos Stones, naquele show, outras idiossincrasias da cultura ”stoneana” estavam a mil, como a morte, tema que voltou a pairar sobre eles em Altamont, quando em outro show, em 1969, um jovem negro foi assassinado. O fato de Mick Taylor, que entrava no lugar de Brian, demitido de forma pouco cuidadosa talvez pela banda, foi outro divisor e marcou a primeira mudança de fases do grupo. Depois, Ron Wood entrou no lugar do próprio Mick Taylor, dando novos rumos musicais aos Rolling Stones.

Do Marquee Club a Jack White

Desde sua origem bluseira, nos anos 1960, em pequenos clubes da região da Oxford Street, em Londres, como o Marquee, até os dias de hoje, o grupo que deu acento garageiro ao rock inglês, então dominado pelo lirismo pop dos Beatles, eternizou músicas e discos. Sempre sem deixar de conter uma enorme dose de contestação e rebeldia, os Stones eram amados pelos jovens e odiados pelos pais.

Na década de sessenta, ”Satisfaction” virou hino. Já sem Brian Jones (para muitos o mais talentoso dos Stones), no começo dos anos setenta, a banda lança Sticky Fingers, um disco que beira a perfeição e transborda a essência transgressora do grupo. A constante ligação com ”O novo” ficou clara com a ”piradinha disco”, de Some Girls, em 1978. ” Miss You”, faixa que abre este álbum, colocou dos roqueiros aos membros do Jet Set internacional para dançar. Sempre com a dupla Jagger&Richards a sua frente, os Stones seguiram pelos grandes palcos do mundo nos anos 1990 e um Maracanã lotado foi pouco para tanta história. A ligação com a urgência do rock deixou os veteranos ao lado de Jack White, geniozinho da cena contemporânea, em um filme de Martin Scorsese que registra os Stones ao vivo.

Ao longo de cinquenta anos, os Rolling Stones viraram sinônimo de rock and roll, sem cair nas armadilhas do estilo, que tanto jogou ladeira abaixo a reputação de grupos que tem status de clássicos. Com os Stones foi diferente, pois cada novo disco era diversão garantida, sempre com algo conceitual e relevante a oferecer.

artigo publicado por popmix
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